quarta-feira, 5 de maio de 2021

270 nous

 


Dormi e a mulher me acordou quando se deitou 

ao meu lado e me entregou seu filho mal cuidado,

abaixo de meus pés dezenas de crianças me prendiam a cama,

fiz muita força para me livrar delas e de sua mãe

que me cobravam tempo e atenção.


Ganhei os espaços sai pelas ruas, cheguei

a uma casa que conheci em outros tempos

homens vestidos  de quimonos de luta

e um mestre entre eles.

O   mestre me repreendeu em tudo, 

disse que eu não tinha nada a oferecer,

não sabia me comportar e deveria aprender tudo.


Fui humilhado e os homens rindo com ar de deboche na boca.

Pedi alguma coisa, uma arma, uma espada,

O mestre, para completar a zombaria,

 me entregou um pedaço de ferro qualquer pintado de branco,

coloquei na cintura dentro da roupa,

pensando que talvez fosse uma brincadeira. 


O mestre desapareceu e os homens foram um pouco mais

solidário comigo.

Falaram de quiromancia e de 270 linhas nous nas mãos.

Um avião muito grande rodopiava no ar,

eu me senti tão indigno de estar ali que chorei feito criança abandonada. 


Nunes